O ADEUS DE ARTHUR DE SOUZA

Ubiratan Lustosa

 

Deus não assina aquilo que realiza. E nós passamos a chamar de destino.

Na noite de 27 de junho, data comemorativa dos 82 anos de fundação da Rádio Clube Paranaense, Valmir Gomes, em seu programa "CARA E COROA", reuniu alguns radialistas dos velhos tempos para falar sobre a veterana Bedois.
Arthur de Souza, figura exponencial da radiofonia paranaense, não pôde comparecer; tivera o joelho operado e lamentou não poder ir. Ele participou do programa por telefone, recebendo a saudação dos que estavam presentes, e eu lhe disse da minha alegria em ouvir aquela mesma voz da qual todos sentíamos saudade. Combinaram Arthur e Valmir que, tão logo estivesse bem, ele daria uma entrevista longa, falando sobre a sua vida e a sua carreira brilhante. Após as manifestações de carinho do apresentador do programa Valmir Gomes, dos convidados Sinval Martins, Aracy Pedroso, e certamente as minhas também, ele desejou felicidades a todos e se despediu.
A entrevista combinada jamais se realizará. No dia do aniversário da Rádio Clube Paranaense, Arthur de Souza concedeu a sua última entrevista. Era o seu adeus. Na manhã do dia seguinte ele partiu.

Foi o destino? Eu acho que foi Deus que assim o quis.
Arthur fazia a sua despedida na emissora onde fizera sucesso durante tantos anos e recebendo as manifestações de admiração e amizade de velhos companheiros e antigos ouvintes.

Arthur de Souza, em seu programa "Revista Matinal", líder em audiência durante décadas, realizou um trabalho exemplar. Sua credibilidade era de tal ordem que as pessoas, ao saberem de algum acontecimento, esperavam o seu programa para confirmar a veracidade da ocorrência. Só depois do Arthur dizer o que havia acontecido é que os fatos viravam verdade.
Arthur de Souza não se limitava em transmitir as notícias. Ele esclarecia, orientava os seus ouvintes, passava a ser um dedicado amigo e conselheiro de todos eles.
E agora, o Arthur nos deixou. A gente sabe que, um a um, todos iremos. Mas quando chega a hora da partida de alguma pessoa querida, dá uma dor muito grande no peito e as lembranças afluem velozmente levando-nos de volta ao passado. E então nos resta apenas a esperança de um reencontro.
E fica, além da saudade, o exemplo a ser seguido.

Deus o abençoe, Arthur de Souza.