MEDITAÇÃO QUARESMAL

Ubiratan Lustosa

Tempos houve, e os mais antigos podem dar testemunho, em que esse período da Quaresma era uma época de mais respeito, de mais contrição, de busca mais intensa de vida espiritual, de mais recolhimento, meditação e penitência.
O jejum e a abstinência de carne nos dias previstos eram levados muito a sério. Cumpriam-se, rigorosamente, os preceitos estabelecidos.
Havia até certos exageros. Eu lembro que minha mãe impedia os filhos de assobiar nesses dias, achando que era uma falta de respeito.

Hoje, verifica-se a existência de certa minimização no cumprimento dessas antigas normas, compreensível em certos aspectos já que a vida ficou mais complicada que antigamente.
Não obstante, o recolhimento, a contrição, a maior procura das coisas espirituais, uma acentuada busca de Deus, devem assinalar esse período que antecede a Páscoa da Ressurreição. E, certamente, o que mais falta ao mundo em nossos dias é a espiritualização da humanidade.

Preocupados com a sobrevivência, com o pão de nossa mesa, com os bens a que temos direito, envolvemo-nos de tal forma na luta do dia-a-dia que perdemos de vista a nossa parte espiritual. Muitas vezes até esquecemos de Deus e agimos, não raro, de forma contrária aos ensinamentos de Cristo.
De tudo isso decorre a desagregação que se verifica no seio das famílias, nas sociedades, nas nações.
E ninguém mais se entende. E os desacertos e as provocações são constantes. E vivemos em sobressaltos. E o respeito de pessoa para pessoa vai desaparecendo. Ofensas e retaliações se avolumam, até mesmo entre aqueles que deveriam dar o maior exemplo de serenidade e elevação de propósitos.
Depois nos queixamos de que tudo está ruim, que o mundo está feio, que isso tudo está virando um caos, perdendo-nos em mil lamúrias como se não tivéssemos culpa alguma pelo estado em que se encontra a humanidade.
Na verdade todos nós temos a nossa parcela de culpa.
E todos nós temos o nosso quinhão de responsabilidade no trabalho de tornar as coisas melhores.

A primeira vitória tem que ser sobre nós mesmos.
Assim, o início de tudo nessa busca de um mundo melhor, forçosamente deve ser o aprimoramento espiritual de cada um.
Se procurarmos ser melhores, teremos condições de melhorar nossas famílias.
Famílias unidas, vivendo em ambiente de respeito e com práticas religiosas, têm a força necessária para corrigir as sociedades e melhorar as nações.

Este tempo de Quaresma é muito propício para o aprimoramento. Aí estão os Evangelhos, com profundas lições de sabedoria imensurável. Um pouco de sua leitura será uma ajuda de inestimável valor para qualquer um de nós.
E muitos caminhos se abrirão nessa busca por melhores dias para todos.

Do livro NOSSO ENCONTRO COM UBIRATAN LUSTOSA
Instituto Memória Editora
http://www.institutomemoria.com.br/detalhes.asp?id=176